É tudo um jogo


Só consigo ver seus lábios se mexendo. Mais uma vez você está falando sobre amor. Eu estou aqui, sentada em frente a você, mas olho ao redor e percebo que estamos num grande tabuleiro de xadrez.

Eu não sou a Rainha, você não é o Rei. Estamos longe dessa realeza perfeccionista, mas somos feitos de ambição. Ambição financeira, ambição imobiliária, ambição profissional, ambição amorosa.

Nesse tabuleiro eu sou a torre, com a minha obsessão por apenas um sentindo na vida: em frente, custe o que custar. Você é o cavaleiro, sempre dando voltas para chegar onde quer, com um sorriso demôniaco nos lábios.

Perdi as contas de quantas vezes te ouvi dizer “não me interessam os jogos e as manipulações“, mesmo assim, aqui estamos nós, um jogador e uma manipuladora.

E só fazemos isso, manipulamos e jogamos um com o outro e chamamos isso de amor.

É exatamente isso o que você está falando agora, que me ama, mas estou de um lado do tabuleiro e você do outro. Temos que vencer pra ficarmos juntos. O jogo há de ocorrer.

Escondemos armas e esperamos pra ver quem vai descobrir primeiro em qual cômodo ocorreu o assassinato. Quem teve coragem de puxar o gatilho primeiro?

Dentro da minha cabeça não para de ecoar o que você me disse há três anos atrás “a gente tem que ficar juntos, somos a mesma pessoa, somos manipuladores“.

Eu tentei com outras pessoas, pessoas normais, pessoas que não entendem o jogo. Não teve graça. Não teve paixão. Teve amor, mas não foi suficiente.

Então talvez seja isso o que você está dizendo, estamos fadados a conquista de território emocional um do outro, porque mesmo depois desses anos e de outras pessoas, aqui estamos nós, no mesmo tabuleiro.

Ainda existe amor, só nos resta descobrir se vamos vencer.

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